Consumo de açúcar: na pandemia procura por doces aumentou

Durante a pandemia, o consumo de açúcar cresce cerca de 63%, revela pesquisas.

consumo de açúcar
consumo de açúcar

A pandemia do novo coronavírus fez com que cerca de oito milhões de brasileiros passassem a fazer home office e, ficando mais tempo em casa, causando grandes mudanças na alimentação e estilo de vida.

Um estudo feito com 44.062 brasileiros entre abril e maio de 2020 mostrou que quase metade das mulheres estão consumindo chocolates e doces em dois dias ou mais por semana.

E mais da metade dos entrevistados entre 18 e 29 anos assumem consumir doces duas vezes ou mais por semana. Esse aumento representa 7% a mais em relação ao consumo antes da pandemia.

Seja preparando um bolo para o lanche, pedindo a sobremesa e o refrigerante junto com o almoço no aplicativo de entregas, ou devorando um chocolate no meio do dia, a verdade é que o consumo de doces entre os brasileiros aumentou. Mas isso realmente é um problema?

Mas afinal, açúcar faz mal?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o consumo de açúcar entre 5% e 10% do total das calorias ingeridas o dia inteiro, o que dá em média 25 g ou 6 colheres.

Mas de acordo com o Ministério da Saúde, o brasileiro consome cerca de 80 gramas de açúcar ao dia.

O açúcar faz parte de um grande grupo de alimentos chamado carboidratos.

É o conhecido açúcar refinado ou "açúcar de mesa" e está presente em praticamente todos os alimentos industrializados , além de ser o ingrediente principal para adoçar as receitas e bebidas caseiras.

De acordo com Flávia Auler, nutricionista e coordenadora do curso de nutrição da PUCPR , conhecer os ingredientes contidos na preparação dos alimentos e nos produtos industrializados é o primeiro passo para saber o quanto de açúcar se está consumindo.

"Nos alimentos industrializados, a lista de ingredientes fica no rótulo. É preciso ficar atento pois na maioria das vezes o açúcar está camuflado com outros nomes", alerta.

Ingredientes como mel, açúcar invertido, açúcar turbinado, dextrose, dextrina, frutose, glicose, glucose, maltose, maltodextrina, oligossacarídeos, sacarose, xarope glucose-frutose, xarope de milho, todos eles são açúcares.

Por isso, dar preferência ao preparo da própria alimentação não apenas ajuda a identificar em quais alimentos o açúcar é a principal fonte de energia, como também auxiliará a priorizar o consumo de ingredientes mais naturais, menos processados e o principal, reduzindo o consumo do açúcar.

Se você desconfia que esteja consumindo muito doce, a dica é anotar o quanto de açúcar está consumindo diariamente.

"Os beliscos e as bebidas adoçadas muitas vezes passam despercebidos, como se não fornecessem calorias nem açúcar para o organismo, mas isso é um erro", alerta.

Anotando, você passa a ter uma noção maior, até mesmo que qualitativa, de quantos alimentos com açúcar você está consumindo e, assim, poderá perceber se precisa reduzir.

Ganho de peso: o consumo excessivo de açúcar engorda, aumenta a circunferência abdominal e eleva o risco de desenvolver diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, gordura no fígado .

A melhor e mais saudável forma de consumir menos açúcar é evitar alimentos industrializados e processados e dar preferência aos ingredientes naturais.

Comece aos poucos: se você adiciona 1 colher de açúcar ao seu café, tente colocar 1/2 colher.

Quando possível, prepare as próprias refeições e reduza ou retire o açúcar durante o preparo.

Diminua a quantidade de açúcar e inclua ingredientes como a farinha de trigo integral, farinha de amêndoas ou aveia.

Checagem com artigo científico:

Artigo: The COVID-19 Pandemic, Stress, and Eating Practices in the United States

Publicação: MDPI journals mdpi.com

DOI: 10.3390/ejihpe10040067